Há tempos queria um outro cachorro e a alegação do meu marido era sempre essa: o quintal era muito pequeno para três cães, ração custa caro, banho mais ainda. E uma tartaruga? Otto vai matá-la (provavelmente da mesma forma que supostamente mataria a Dandara). Peixes dourados? Dão azar (claro que eu não acredito nisso). Um iguana? Credo! Acho que o máximo que me seria permitido era um tamagoshi - será que aquilo ainda é fabricado?
Mas Dandara deu cria e os dois últimos filhotes, Saramago e Vênus não foram vendidos tão facilmente como as outras. Ele por ser macho e ela por ser meio "fora dos padrões".
Quando Saramago foi vendido, Juliano decidiu que era humilhação demais para a pobre Vênus ser exposta sozinha para venda. Ainda mais porque ela teve banzo quando percebeu a ausência do irmão. Pensamos em possíveis donos para a Vênus. A Émile, não, a pobrezinha morreria de fome em uma semana. A Mari, não, morreria em três dias por falta de cuidados. A Kênia não quis, não tem espaço. Fernanda e Eneida já tinham cadelas demais. Depois disso, "my sweet baboo" resolveu negociar comigo a permanência da criaturinha. Ele já tinha decido que ela ia ficar, mas queria que eu dissesse, talvez para dividir um arrependimento futuro.
O quintal não aumentou, mas Vênus acabou ficando.
Já ganhou duzentos apelidos: Clarice, Arizona, índia mestiça, Mickey Mouse, magrela e outros. Chinelos são roídos, roupas arrastadas, a Dandara dá chilique de ciúmes e meu cinzeiro da Colombo acaba de virar dois (se fosse qualquer outra pessoa, estaria sendo psicologicamente torturada pelo acidente). Mas ela é amorosa, engraçada e muito simpática! Sem falar que é um gênio!
Ela é a sombra de Juliano. Pra onde ele vai, ela vai. Onde ele deita, ela deita. Quando ele sai ela chora e procura por ele.Como não amar?
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Atire a primeira pedra
Desde o anúncio da pena de morte por apedrejamento da iraniana Sakineh Ashtiani venho acompanhando o caso com interesse. Ainda não consigo compreender como em plena era digital alguém pode ser apedrejado.
Não sou completamente contra a pena capital, mas se ela é aplicada, o réu/ré só deve ser executado/a quando não existir quaisquer dúvidas sobre a culpabilidade e unicamente em crimes brutais. Mas, não sou eu quem faz as leis.
Num país como o Irã, uma teocracia, a pena capital nem deveria existir! Uma vez que Alá não pode comparecer ao tribunal, quem julga é o fanatismo dos aiatolás, impondo uma moral arcaica e cruel.
Para quem não entende lhufas do Irã, recomendo a leitura de "Persépolis" de Marjane Satrapi, um romance gráfico (o termo está na moda, mas também pode ser lido como história em quadrinhos ou arte sequencial, vai da preferência de cada um) em que a autora iraniana narra as transformações de um país extremamente ocidentalizado em uma ditadura religiosa. Também há uma animação homônima, para quem preferir.
Não se enganem: o apedrejamento não é cultural, é mera crueldade. A Revolução Islâmica iraniana se deu em 1979, portanto, citando Eric Hobsbawn, há uma invenção da tradição. E só pra constar, iranianos não são árabes, são farsi, ou como nossa lusofonia impõe, são persas.
Tudo bem que a pena por apedrejamento foi suspensa por enquanto, mas a pobre mulher já está presa há quatro anos! Por adultério e suposto envolvimento no assassinato do marido, que se for comprovado vai levar a mulher pra forca! As penas capitais do Irã não passam de um grande show de horrores! Não tem nada a ver em poupar a sociedade de um criminoso irrecuperável, mas em demonstrar a sociedade os abusos a que está sujeita caso discorde do regime dos aiatolás. É pura violência psicológica!
Tenho certeza de que sou uma pessoa tolerante. Detesto e coíbo qualquer manifestação preconceituosa sob meu teto, seja racial, étnica, cultural, sexual ou individual. Acho que relativizar é a palavra de ordem, mas nessas situações, tenho que concordar com Juliano e suas frases absurdas sobre relativismo exagerado. Neste caso, não há como! Não tem nada de cultural, é barbárie, crueldade, abuso de poder...
E fala sério! Quem é assassinado sendo eletrocutado numa banheira por várias pessoas?
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Muito tempo
Tanto tempo.
Não há o que fazer.
Parece muito, mas é pouco.
Passaram muito rápido os dias.
Quase quatro meses.
Não há nada pra fazer, então eu pinto, colo, jogo...
Há tanta coisa que eu poderia...
Que eu queria fazer...
Mas dói.
As letras dançam.
O pensamento vagueia.
Me sinto tão sozinha.
É como se a dor me deixasse invisível.
Parece que ninguém sabe.
E eu quero gritar.
Quero chorar, berrar.
Os cães me distraem um pouco.
Sorrio.
Pergunto.
Pergunto.
As vezes nem escuto resposta.
Hoje é um dia péssimo.
Os ruins tem sido maioria.
Não quero sair.
Nunca mais.
Pelo menos hoje.
Quero o céu azul amanhã.
Me sinto tão pequena.
Tenho saudade de mim.
Não há o que fazer.
Parece muito, mas é pouco.
Passaram muito rápido os dias.
Quase quatro meses.
Não há nada pra fazer, então eu pinto, colo, jogo...
Há tanta coisa que eu poderia...
Que eu queria fazer...
Mas dói.
As letras dançam.
O pensamento vagueia.
Me sinto tão sozinha.
É como se a dor me deixasse invisível.
Parece que ninguém sabe.
E eu quero gritar.
Quero chorar, berrar.
Os cães me distraem um pouco.
Sorrio.
Pergunto.
Pergunto.
As vezes nem escuto resposta.
Hoje é um dia péssimo.
Os ruins tem sido maioria.
Não quero sair.
Nunca mais.
Pelo menos hoje.
Quero o céu azul amanhã.
Me sinto tão pequena.
Tenho saudade de mim.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Muito prazer, eu sou Alice
O cinema tem o poder de reacender a curiosidade do público pelos clássicos literários. Lembro-me que quando estreou "O amor nos tempos do cólera" (que diga-se: não é lá um grande filme), era completamente impossível comprar qualquer livro de Garcia Marquez.
Com "Alice no País das Maravilhas" (que eu ainda não vi) aconteceu o contrário. O mercado editorial foi inundado com as mais diferentes Alices, com livros lindos e ilustrados de formas belíssimas. Eu mesma não resisti e comprei uma edição. Já havia planejado comprá-la quando a vi numa revista: traduzida pelo Nicolau Sevcenko, ricamente ilustrado por Luiz Zerbini e com aquele cuidado que só a Cosacnaify tem.
Enfim, estou relendo Alice. Mas sempre que eu leio, vejo muito dela em mim.
"Alice no País das Maravilhas" era um dos meus livros de cabeceira quando criança. Aquele livro que você carrega debaixo do braço e pede para qualquer um que conheça o segredo das letras para ler para você, que sua mãe lê na hora de dormir. Meu tio Nenê era a pessoa que mais lia para mim.
Percebo agora, adulta, que essa personagem teve grande influência na formação de minha personalidade. Falo comigo mesma o tempo todo, me repreendo, me dou idéias e conselhos, como se a minha consciência fosse dupla. Converso com animais e as figuras de papel que recorto, como se fossem capazes de me responder e sobretudo: sempre tenho idéias mirabolantes! Atualmente, tenho tido mais idéias mirabolantes que o normal, acho que é um mecanismo de fuga.
A dor sempre foi uma constante na minha vida, toxoplasmose, gastrite, tendinite, doenças reumáticas. E quanto mais dói, mais mirabolantes são as minhas idéias. Fora minha mãe e suas vanguardas pedagógicas, sempre acreditando que liberdade é requisito básico ao aprendizado. Barracas de lençol, casinhas nas árvores, acampamentos no jardim, caracóis, formigas, borboletas, minhas bonecas, meus livros, as agulhas e linhas para as roupas das bonecas, lápis de cor, canetinhas, tintas, papéis e figurinhas - esse era meu mundo de criança, acho que não mudou muito continuo costurando, pintando, recotando, colando, desenhando, lendo, escrevendo e brincando (lendo um pouco menos, porque minha concentração está meio prejudicada), tudo ao mesmo tempo.
Espero que nenhum psiquiatra leia isso, porque do contrário, posso estar muito encrencada.
domingo, 18 de julho de 2010
Realidade fragmentada
Quantas vezes você ouve as pessoas discutindo sobre realidade, vida real, etc.? Pois saiba você, que essas pessoas estão completamente equivocadas sobre esses conceitos, a maioria de nós, seres humanos está. A realidade é efêmera e inapreensível, e vida real, essa não existe mesmo. Não, eu não estou louca.
A realidade é apenas o momento do agora, que você está vivendo, bem agora, e que quando chegar ao ponto final dessa frase, já terá passado, já será outro momento, outro agora. O que nos leva a outra questão: o presente não dura mais que um instante. O passado já existiu, acabou de passar e o futuro começa frações de segundo depois de agora, separado do passado, por um insignificante momento, que se torna passado quase que imediatamente ao ser presente. O presente só pode ser contido no tempo da ação, se você desvia os olhos do texto, ou passa a próxima palavra, já é um outro presente, um outro agora, uma outra ação.
E a realidade? Só existe na prática, só existe na ação. Tudo mais são representações da realidade. Mesmo as notícias transmitidas em tempo real, são representações de uma realidade, não a sua. Pense bem: a vida é um grande teatro: vivemos pelas representações. Fotos, leis, fala, escrita, livros, televisão, videogame, educação, dinheiro, tudo isso representa um fragmento de realidade e são essas representações que nos tornam humanos. Então, se tudo na vida de um ser humano é representação, tecnicamente, não existe vida real. Esse conceito deve ter sido inventado para diferir a vida humana das ações de personagens ficcionais.
Mas esse conjunto de representações tem um nome que algumas pessoas dizem: "hã?". Imaginário. Um imaginário coletivo não é somente fantasias, lendas e arquétipos (que por sinal, também são maneiras de representar a realidade) de um grupo de pessoas é todo o sistema de representações de uma sociedade. Respeitar as leis, ter um código de conduta profissional, ser honesto, acreditar que pedaços de papel estampado tem valor, a própria concepção de valor, ler, escrever um bilhete, ser simpático, todas essas operações exigem raciocínio, memória e sobretudo, imaginação.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Enquanto o sono não vem...
Sofro de insônia desde que me entendo por gente e o mais irônico de tudo: adoro dormir! Sempre que minha velha companheira, a insônia (e também os compromissos), me permite(m) eu durmo por muitas e muitas horas! Quantas forem possíveis!
Cansei de ir trabalhar ou estudar virada. Passar mais de 30 horas acordada, pra mim, é moleza. E muitas vezes, o negócio ainda é pior. O sono vem, mas eu não consigo dormir.
Atualmente, por causa da dor e dos remédios que me deixam completamente pilhada, tenho passado muito tempo acordada. Escrevo, leio, estudo, pinto, costuro, cozinho, brinco com Otto de madrugada. Meus vizinhos devem me amar!
Trocar o dia pela noite não seria a expressão certa porque também fico elétrica durante o dia. Faço milhões de coisas e o tempo não passa! Meu pai dizia para mim, quando eu era adolescente, que quem dorme muito, vive pouco. Se eu soubesse que minha insônia pioraria tanto, teria aproveitado e dormido mais, muito mais... Estou cansada de viver tanto e não dormir...
Como invejo aqueles que dormem!
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Um ano mais velha, de novo.
Eu adoro fazer aniversário, não me importo muito com a idade. Envelhecer faz parte da vida, descobri cedo. Mas adoro estar na casa dos trinta, gosto de quem me tornei.
Mas esse post é para agradecer a todos os amigos que compareceram a minha festa de aniversário, que foi ótima! Agradecer especialmente a Émile, a Emília, ao Élvio e seu exército de amigos por terem me ajudado a organizar e aproveitar a festa.
Beijo a todos e obrigada pelos presentes lindos e pela diversão!
Assinar:
Postagens (Atom)




